Existem muitos caminhos pelos quais eu poderia destacar a figura do Cai n’água, seu valor histórico, sua origem oliveirense. Porém, no mais importante gostaria de escrever sobre a permanência da figura do Cai n’água como expressão do Carnaval em Oliveira, que se sustenta ainda hoje, isso não é qualquer coisa. Tem suas mudanças, é claro, como acontece com tudo que perdura com o tempo, ganha retalhos das novas gerações, algo que parece não trazer ofensa, pois o Cai n’água entra na brincadeira com quem quer brincar com ele.
A figura do Cai n’água é assim, completamente coberto, ele sai pelas ruas com uma roupa estampada em dominó e corre atrás com uma vara, dos conhecidos por aquele que veste a forma de Cai n’água e dos que correm ao vê-lo.
Vi na rua, crianças e adolescentes vestidos de Cai n’água, perto do ensaio de bateria que acontecia em frente a rodoviária, bandos pequenos, andando pela cidade. Quando algo histórico ganha expressão no presente, isso diz de algo que não cansa de dizer.
Friedrich Nietzsche tem uma aforisma em que diz: ” Tudo que é profundo ama a máscara”.
A verdade é sempre não toda, o sujeito é cindido por nascimento, o discurso promete mas não cumpre, e a angústia frente a isso pode virar brincadeira, ensaio entre os que se relacionam ou desgosto.
O lúdico nunca será obsoleto. Podemos brincar de ser outra coisa que não a gente, abrir mão da relação fechada com uma suposta realidade e recria-la. Extravasar, se pintar, se mascarar.
Autora: Beatriz Fonseca

